domingo, 19 de março de 2017

Mad Max: A Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)


6 Oscar: Figurino (Jenny Beavan), Montagem (Margaret Sixel), Maquiagem (Lesley Vanderwalt, Elka, Wardega, Damian Martin), Direção de Arte (Colin Gibson, Lisa Thompson), Edição de Som (Mark Mangini, David White), Mixagem de Som (Chris Jenkins, Gregg Rudloff, Ben Osmo)

Indicações: Filme (Doug Mitchell, George Miller, P. J. Voeten), Diretor (George Miller), Fotografia (John Seale), Efeitos Visuais

Ano em que concorreu: 2016

A grande questão: o que Mad Max – A Estrada da Fúria fez para que conquistasse público e crítica ao mesmo tempo? Afinal o que ele tem de bom? Mereceu toda a atenção, indicações e prêmios? Diria que sim. Talvez a sinceridade que esta continuação da saga de Mad Max tenha falado mais alto ao coração dos cinéfilos e críticos. É um filme de ação e perseguição quase que ininterrupta com um subtexto discreto que quase é suplantado pelas cenas muito bem coreografadas. Temos além de Max (interpretado aqui por Tom Hardy), a verdadeira protagonista deste novo filme é Imperator Furiosa (Charlize Theron, roubando a cena) que inicia uma fuga com outras mulheres rumo a uma terra que sobreviveu ao deserto que dominou a paisagem. Efeitos práticos aliados a digitais, um cenário devastador, desértico, que se passa num futuro pós-apocalíptico e um George Miller inspiradíssimo que demonstra um virtuosismo e um senso de espetáculo pouco visto nos últimos anos. Miller é o verdadeiro merecedor do Oscar de melhor direção e filme, pena que a Academia não mostrou-se aberta a isso, premiando este trabalho apenas nas categorias mais técnicas.



Regras da Vida (The Cider House Rules)


2 Oscar: Roteiro Adaptado (John Irving), Ator Coadjuvante (Michael Caine)

Indicações: Filme (Richard N. Gladstein), Diretor (Lasse Hallström), Montagem (Lisa Zeno Churgin), Direção de Arte (David Gropman, Beth A. Rubino), Trilha Sonora (Rachel Portman)

Ano em que concorreu: 2000

Dos indicados ao Oscar de melhor filme em 2000, Regras da Vida é o mais fraco. Surpreende o fato de ele ter conseguido as indicações principais em detrimento de filmes mais ousados e interessantes como Magnólia, Fim de Caso, por exemplo. Regras da Vida não é ruim, mas convencional demais para um ano incomum como o de 1999 que gerou diversas obras-primas. Mesmo assim ainda dá para se emocionar com a trajetória de Homer Wells (Tobey Maguire), órfão que trabalha com o Dr. Wilbur Larch (Michael Caine) num orfanato além de prestar serviços de aborto no local. O garoto decide sair do local e trabalhar numa fazenda onde se envolve com Candy Kendall (Charlize Theron). Apesar de flertar com temas pesados como aborto, racismo, Regras da Vida prefere não aprofundá-los, concentrando o drama na jornada de descobertas que Homer faz quando sai do universo do orfanato onde mora para conhecer o mundo e a vida, consequentemente.



Distrito 9 (District 9)


Indicações: Filme (Peter Jackson, Carolynne Cunningham), Roteiro Adaptado (Neill Blomkamp, Terri Tatchell), Montagem (Julian Clarke), Efeitos Visuais (Dan Kaufman, Peter Muyzers, Matt Aitken, Robert Habros)

Ano em que concorreu: 2010


Ficção científica, esse gênero tão desprezado pela Academia, é um tipo de filme que levanta questionamentos fundamentais sobre a humanidade, usando o futuro como uma leitura do presente. Distrito 9, fala de racismo, exclusão e apartheid ambientando uma trama na Johanesburgo da África do Sul, colocando como centro um grupo de alienígenas cuja nave pairou sobre o país e os extraterrestres acabaram vivendo no local como favelados em condições precárias, o grupo acaba sendo um grande problema para o governo que não sabe o que fazer com eles e decide levar os seres para outro campo de refugiados. Wikus (Sharlto Copley) vai liderar esta nova missão, até que um acidente causado com um material encontrado em uma das casas faz com que a caçada se inverta e Wikus seja o perseguido pelo governo por motivos diferentes.  A crítica social é clara e o roteiro amarra bem as situações dando um tom documental à história e aumentando o realismo do que é visto. Nesta trama, os alienígenas não são os vilões da vez e ganham nossa simpatia e torcida.


A Conversação (The Conversation)


Indicações: Filme (Francis Ford Coppola), Roteiro Original (Francis Ford Coppola), Som (Walter Murch, Art Rochester)

Ano em que concorreu: 1975

Francis Ford Coppola foi o primeiro diretor a concorrer com ele mesmo por A Conversação (num ano em que O Poderoso Chefão – Parte 2 tornou-se a primeira continuação a ganhar o Oscar de melhor filme) e perdeu para si próprio pela sequência da saga da família Corleone. A Conversação é um filme de múltiplas camadas, uma simples investigação que gera consequências e instaura um clima de paranoia e conspiração incontornáveis. Coppola dosa suspense e drama na medida ao colocar Harry Caul (Gene Hackman), um especialista em som contratado para gravar uma conversa de uma mulher com o seu amante. Ao começar a fazer a escuta do áudio gravado, Harry percebe que um possível assassinato pode acontecer a partir do momento em que entregar ao contratante aquilo que gravou. Trata-se de um filme econômico, sóbrio e tenso, diferente do tom dado por Coppola em sua famosa trilogia. A Conversação ganhou a Palma de Ouro em Cannes, mas não conseguiu fazer frente ao clássico sobre a máfia italiana que o próprio Coppola eternizou nas telonas e lançou no mesmo ano.



A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai)


7 Oscar: Filme (Sam Spiegel), Diretor (David Lean), Ator (Alec Guinness), Roteiro Adaptado (Pierre Boulle, Carl Foreman, Michael Wilson), Fotografia (Jack Hildyard), Montagem (Peter Taylor), Trilha Sonora (Malcolm Arnold)

Indicações: Ator Coadjuvante (Sessue Hayakawa)

Ano em que concorreu: 1958


David Lean é sinônimo de obras grandiosas como os épicos Lawrence da Arábia e Doutor Jivago, deixou filmes inesquecíveis como Reencontro e Grandes Esperanças. A Ponte do Rio Kwai, mais um filme de proporções grandiosas, dialoga com a honra e o orgulho em meio à Segunda Guerra Mundial. Um grupo de soldados ingleses são presos pelos japoneses e obrigados a construir uma ponte. Liderados pelo Coronel Nicholson  (Alec Guinness), que toma para si a responsabilidade de fazer um excelente trabalho numa maneira de reavivar o amor próprio de seu batalhão e ao mesmo tempo provar sua superioridade junto aos japoneses. Um soldado americano, o Major Shears (William Holden), consegue fugir e retorna para destruir a ponte. Trilha sonora inesquecível, atuações maravilhosas (como esquecer o humor de William Holden, a rigidez do Coronel Saito, interpretado por Sessue Hayakawa, e a cena final de Alec Guinness perplexo consigo próprio?) e sequências antológicas bem dirigidas que fazem as 3 horas de filme passarem rapidamente aos nossos olhos.